Relatório OTA do Sexo
Sim, existe vida pós-MAD! Depois de fazer a cabeça dos leitores da versão brasileira da famosa revista por três décadas, Ota retoma sua mais memorável criação numa série de pockets temáticos, onde colocou todos os seus antigos relatórios no liquidificador e misturou-os com temas atuais, fazendo uma salada de dar inveja ao pior dos chefs. Neste Relatório Ota do Sexo, você vai aprender tudo que a humanidade viveu desde a primeira polêmica no Jardim do Éden até o Barraco de Sorocaba.
Biografia
Otacílio d’Assunção Barros nasceu no Rio de Janeiro, em 1954, e já foi demitido de vários jornais. Foi editor da versão brasileira da revista MAD durante 34 anos, da qual foi demitido a última vez em 2008, quando organizou um grande leilão de sua coleção, entre desenhos originais, revistas e apetrechos.
Criou seu próprio canal de vídeos, o Otatube, com animações feitas por ele mesmo e convidados. Já recebeu prêmio de Melhor Revista Independente do Troféu HQMix pela sua Revista do Ota (1994).
Ota também traduz e edita livros há muitos anos. Sua última tradução foi o livro 90 livros clássicos para apressadinhos.
Pela editora Barba Negra, publicou seu Relatório Ota do sexo em 2010.
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100%
um clááááássico!!!
Portadora da insuperável condição de fazer existir o que nós ainda mal vislumbrávamos, a palavra adquire status de ‘realidade’, dotada de característica peculiar.
Trata-se de fenômeno a evocar algo ‘por vir’, atraindo-o à existência, da forma como esta é mais vulgarmente identificada.
Constata-se, há uma relação entre ‘existência’ e ‘obra de arte’, quando se parte da ‘concretude’ assim considerada. E por uma inicial aproximação, parece simples dizer que a obra de arte é sempre uma ‘coisa’. Todavia, o que é chamado ‘obra de arte’ contém a característica de vincular-se vigorosamente à ‘palavra’. Possivelmente, o mais essencial na obra de arte é o fato de ela ser uma ‘coisa que fala’. Ela apresenta um ‘falar’ diferenciado.
Ora, de modo geral, se diz que o artista ‘cria’. Contudo, não bastará que ele pegue o seu material e ‘produza’ algo. Porque, se o artista pretende ‘criar’ uma obra de arte, o ‘produto’ final tem que ‘falar’. Afinal, ele deseja dizer alguma coisa através de sua composição. A ‘fala’ da sua obra é a própria voz do autor.
Há ainda outra maneira de se “traduzir” a palavra ‘criar’, mais ligada à forma de entender a ‘existência’. Assim, quando o artista se coloca diante do seu material, não está simplesmente frente a objetos que ele vai ‘utilizar’ a fim de codificar uma mensagem. Mais que isso, o artista se coloca ante um ‘mistério’. Mistério justaposto à acepção do termo ‘criar’.
O ‘material’ já guarda, em seu cerne, a ‘produção’ ainda não realizada. O que nele já está ‘fala’ alguma coisa que seria importante deixar mais explícita. Aguarda, apenas, na condição de ‘não-existência’, o chegar a existir de fato. Materialidade que virá pelas mãos do ‘criador’.
Eis da arte o segredo a ser decifrado: o artista é, por assim dizer, usado pelo seu material. Ele mesmo nada diz, porém, coloca-se a serviço dessa ‘fala’, tornando-a mais patente. Quem ‘ouve’, possui percepção dessa substância oculta, é o artista, cunhando-lhe um código de acesso a outras pessoas, no sentido de explicar a ‘fala oculta’ da coisa.